sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Por onde se esconde o preconceito?



Ontem fui tomada por uma revolta sem tamanho por causa de uma questão chata matutando dentro da minha cabeça. Como muitas que carrego diariamente, essa questão não tinha nenhuma resposta e nem suposições que dessem, por um segundo, conta de calar um pouco os ecos que me consumiam sem pausa. Por que apesar de sabermos o quanto a mídia nos afeta ainda não conseguimos nos livrar dos estereótipos que ela nos oferece? Abraçamos, seguimos e achamos que eles estão certos , tentamos com isso nos adequar ao modelo ideal de vida que a cultura midiática nos apresenta.

Para uma mulher, negra e favelada isso afeta mais que qualquer outra coisa, porque o que vemos na televisão é que tudo o que somos e representamos está errado, uma negação licita da nossa existência e da nossa cultura na sociedade. Não são só estereótipos físicos, mas também modelos de vida, ou seja, o que comprar, onde ir, até quem chamar de vândalo e quem não chamar. Porém o que nos interessa é tentar sair dessa lógica e pensar por si mesmo, mas como fazer isso se somos ensinados a pensar como os outros (grande mídia) querem?



Aí que entra o papel da mídia alternativa, dos blogs e páginas feministas e também o nosso papel não virtual que é de em qualquer lugar poder incluir nosso ponto de vista quando alguma discussão política estiver acontecendo. Política não é só coisa de urna, como muitos dizem por aí, é discutir com conhecidos, dentro da comunidade, tentar mudar um pouquinho essa visão vigente preconceituosa que é tratada como se fosse uma realidade absoluta. Isso não vai sanar todos os problemas, mas por ora ajudará a mudar o que acontece ao nosso redor.

Mesmo que nós estejamos inseridos em movimentos de esquerda e revolucionários, podemos continuar com um pensamento retrógrado sobre algumas coisas. É natural que não sejamos completamente corretos em nossas atitudes, as falhas são características próprias de todo o sujeito. Mas um cuidado quando falamos para um grande número de pessoas, que aceitam a nossa opinião como válida, deve ser tomado. Nos últimos dias me deparei com uma atitude extremamente machista em um grupo que faço parte, não vem ao caso citar o nome aqui, mas as pessoas ali se diziam todas revolucionárias e contra qualquer tipo de preconceito, então fiz minha parte e expliquei onde estava o machismo na situação. Logo houve grande resistência de alguns para entender o que eu estava dizendo, ouvi muitas falas dizendo: “Não existe machismo nenhum aí, isso é coisa da sua cabeça.” Fiquei extremamente decepcionada, porque são argumentos assim que destroem toda uma ideologia, por mais bonita que seja, de qualquer movimento. Se integrantes desse grupo não entendem e não querem entender o que é preconceito, quem vai entender? 

A frase “isso é só coisa da sua cabeça” já escutei milhões de vezes se referindo ao machismo, racismo a homofobia e etc. É dita porque é muito fácil dizer isso quando não se está na pele de quem sofre o preconceito, é pura ingenuidade de quem nunca foi oprimido. Já ouvimos na rua e em qualquer ambiente institucional, ou não institucional, a questão é que tentam nos afetar nos acusando de um falso exagero. O que podemos fazer quando a coisa chega a esse ponto é não largar a discussão, insistir até o último segundo, nem sempre dá certo, mas garanto que algumas cabecinhas nesse meio tempo pensaram melhor antes de escrever/falar bobagens pela vida virtual ou real.

Um comentário:

  1. É isso mesmo! Que a mídia de responsa alternativa cresça e comunique o verdadeiro mundo no qual vivemos e que consigamos nos compreendermos mutuamente e aceitarmos os seres humanos com as suas diversidades e igualdades. Respeito acima de tudo. Parabéns pelo blog!

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